TOCA NO MEU RADIN – DON L

Eu me apaixonei em 2015, mas definitivamente, no ano de 2016, ninguém reinou na minah setlist mais que Don L…. Manooooooooooooo, eu não consigo parar.

Cearense, Don L mora em São Paulo. Seu sotaque sobre as batidas, A QUALIDADE DA RIMA e a influência do jazz, acaba com meu core que tá always carente (sou pisciana, isso não tem fim). O primeiro som dele que escutei foi, Slow Jam, logo seguida por Plástico, Depois das 3, Beira de Piscina…. Xeque Mate, tava absolutamente conquistada pelo som. Depois disso baixei tudo o que eu achei do Don L…. meu Spotfy, inclusive, tem verdadeira adoração por ele.

Eu só tenho um problema com Don L: nunca consegui ir à um show e, sério, eu queria muito ir.

Apenas Escute e me dê razão.

VOCÊ PRECISA SABER QUE NÃO É PARDO

Essa é uma carta aos meus. Àqueles que ainda não receberam a mensagem, segue aí a minha humilde instrução… Queria te falar isso olhando em seus olhos, com a mão na sua, sabe! Sei que esse é um momento forte e eu sei que vai mudar a sua vida, mas não tem jeito, vai por aqui mesmo: VOCÊ P.R.E.C.I.S.A SABER QUE NÃO É PARDO.

Ah, caro amigo. Você é preto. Eu sou, nós somos. E você precisa saber da maravilhosidade libertadora de saber que é assim, de se assumir assim, de se orgulhar dessa sua pretitude… Eu preciso te contar que esses anos todos te chamaram de pardo pra te fazer acreditar que era mais “aceitável” pela sociedade do que os outros, que sofria menos dos males do racismo e que a violência não chegaria à você… O IBGE passou na sua casa pra “pardificar” a sua vida incluindo-o na bolha da cegueira, porque quem gosta de gente que vê e enxerga, não é mesmo!?

Mas eu não gosto do IBGE! Não gosto do IBGE, não gosto, não gosto! Não gosto de julgadores, de opressores e muito menos de clareadores. Empreteça-se amigo! Aproprie-se disso o quanto antes. Enquanto é tempo…. Você precisa entender que não é pardo.

Você precisa entender a política de embranquecimento e que esses anos todos te enganaram, você não é aceito. Mesmo jogador de futebol, artista de tv, músico bombadão… mesmo assim você não é aceito. Você é pardo pra ser incluído num círculo raso de abuso…. vão tirar tudo de você e quando você não tiver mais nada pra dar, será chamado de neguim… Então, você precisa entender que é um negrão e, como tal, não se permitirá ser domado, sugado, abusado…. escravizado. Você precisa saber que não é pardo.

Você precisa entender que mesmo que você não queira ser preto, já é e o sitema sabe disso. Precisa saber que quando você não passou naquela vaga de emprego mesmo sendo o mais qualificado, era porque ser pardo é ser porra nenhuma. Precisa entender que quando você foi tratado diferente mesmo tendo dinheiro pra pagar, é justamente porque eles já sabem que você não é pardo. Na verdade, eles sempre souberam.

Você precisa entender que você não é pardo e que todos os “mal estares” indiretos pelo quais você passou, são tipificados pela lei e que são chamados pelo mundo todo de r.a.c.i.s.m.o…. Você precisa saber, meu amigo, porque enquanto não souber, será alguém sem cor. E você conhece alguma coisa sem cor que seja alguma coisa massa, alguma coisa visível, alguma coisa notável? Conhece? E é exatamente isso que querem que você seja: mais um pardo perdido e invisível…. mais um usável, um fraco, manipulável.

Você precisa saber que não é pardo e, melhor, precisa saber que tem um time forte pra te dar uma força aí. Tem uma galera boa aí de “não-pardos” que segura a peteca bonita e quem tem feito verdadeiras revoluções em suas próprias vidas, as mesmas que podem dar certo aí na sua.

Por fim, você precisa saber que não é pardo antes que seu filho nasça e esfregue a primeira violência por conta da etinia de seus pais, suas mães…. Precisa saber antes que ele sofra os reflexos de você ir na primeira reunião escolar, de conhecer os pais do primeiro amor, de ir assinar os papeis da Faculdade. Você precisa saber que não é pardo pra ele poder entender desde cedo que aquele baculejo sem motivo vai acontecer e que isso não significa que ele é um suspeito padrão de verdade. Você precisa saber que não é pardo. Você precisa saber que não é pardo e entender que é preto, sentar aqui do meu lado, ouvir TuPac e planejar colocar o nome da sua filha de Dandara. Entender que as barreiras que colocaram pra você são todas virtuais e que podem ser reconfiguradas, sampleadas, baixadas, subidas, e quem sabe curtidas, cutucadas e compartilhadas…. Você precisa saber que pode ser o que você quiser, mas que pardo, meu amigo, você nunca foi.

Você precisa entender que não é pardo. E assim que souber que é preto, ir de preto comprar um pão. Tô te esperando com o café pronto. They.

ADINKRAS

Há alguns anos imersa em estudos afrocentrados, eu me deparei com as tecnicas africanas antiquérrimas de estamparia. Foi exatamente assim que eu cheguei aos Adinkras… e me apaixonei tanto que acabei tatuando um em mim, o Sankofa. E foi pela curiosidade de muita gente à uma de minhas várias tatuagens que eu resolvi fazer o post de hoje…. Vim falar um pouco mais sobre os símbolos e principalmente sobre a cultura ancestral que desde sempre, é moderna.

Os Adinkras são um dos muitos saberes desenvolvidos pelos AKAN (grupo cultural presente no Gana, Costa do Marfim e Togo). Na verdade eles formam um sistema de transmissão de idéias, quando cada símbolo associa-se à um provébio (um ditado) enraizando a experiência akan e garantindo que esses fundamentos pudesse, inclusive, ser repassados aos seus ao longo dos anos.

Um verdadeiro dicionário de valores que vem encantando muitas pessoas, como eu e, inspirando vários na produção de produtos e na reformulação de serviços e idéias. Eu mesma, confesso, fiquei muito reflexiva em relação à minha vida ao estudar os Adinkras e absorvi muita coisa desses valores nos meus passos e acreditem, mudei.

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SEM PRESSÃO: QUEM MANDA NA MINHA CABEÇA, SOU EU

Já tem um tempinho que eu tô querendo escrever sobre isso aqui com vocês. Infelizmente não tenho tido tanto tempo pra atualizar o blog como eu gostaria (e muito em breve vocês vão saber porquê), mas é algo que eu venho absorvendo bastante nessas minhas andanças por aí: PORQUE NOS DEIXAMOS SER ROTULADAS, PRESSIONADAS ESTÉTICAMENTE? E eu me fiz esse questionamento já há algum tempo, a partir daí eu resolvi absorver a forma como nós mulheres negras estamos encarando esse empoderamento estético.

Alguns anos e muitos “encontrinhos” depois ficou claro pra mim que definitivamente nós saímos de uma ditadura e entramos em outra. Saímos da ditadura do liso que nos embranquecia e nos pressionava a absorver uma realidade estética que  não é nossa e que não nos representava – só nos diminuía, e, entramos na ditadura dos Cachos que, mesmo de uma forma mais positiva, pressiona as mulheres negras aos cachos perfeitos, aos cachos fitados, aos cachos compridos, aos cachos, aos cachos…. Mas e se uma mulher negra não quiser ter cachos? E se ela não tem um cabelo que forme cachos? E se ela ao menos quiser ter cabelo? Isso faz dela uma mulher menos negra? Faz com que ela seja menos consciente, menos merecedora? Menos empoderada? Menos nossa irmã?

E foi exatamente nesse ponto dos meus questionamentos mais pessoais que eu resolvi testar em mim as reações e as relações de alguém que resolve absorver tipos diferentes de estética capilar e acreditem, fui julgada sim. Fui julgada por que usava petrolato, já fui julgada porque tava loira, já fui julgada porque fazia questão de pintar meus cabelos brancos, fui julgada pelo loiro das tranças e até pelo crespo dos meus marleys Twists. Ou seja, fui julgada. Fomos julgadas. Seremos julgadas inclusive, entre nós mesmas, infelizmente…. Então, diante disso, não é muito muito muito mais agradável  E JUSTO você ter a estética capilar que você quiser ter?  Afinal, esse cabelo tá na cabeça de quem?

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MEU MARLEY TWIST

Foto: @porlarissaisis para a @justkiddwear

Ah, a pressão das minhas leitoras (rs!)… Não, não tô reclamando não. Mas esse aqui é o típico post que vocês me pressionam a fazer e que, eu nem sei porquê, não tenho o costume de postar por aqui. Mas sempre é tempo, né! …Então, mesmo depois de ter tirados as fibras sintéticas do meu cabelo, eu tenho recebido muitos pedidos de informações, dicas e tudo mais sobre o cabelo que eu mais gostei de ter (até agora), o Marley Twist.

Antes de fazer, eu tava a fim de fazer dreads de lã e por isso esperei até o tempo ficar mais fresco pra dar start nesse meu plano. O negócio é que no meio do caminho eu vi umas fotos de uma gringa maravilhosa com o cabelo dos meus sonhos e aí já viu, né!!! Corri atrás de saber tudo sobre essa preta diva e corri pra saber que fibra era aquela. Sabia que aquilo era um Twist, mas o material usado pra fazer era claramente diferente do material usado para fazer os Twists tradicionais que conhecemos, ele era mais crespo, bem parecido com a fibra natural do meu cabelo, aliás.

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