EMPRETECENDO A RELAÇÃO DE CONSUMO – VOCÊ LUTA JUNTO OU SEPARADO?

Eu tenho sido muito chamada pra falar sobre as minhas percepções sobre as relações de consumo x representatividade x inclusão e eu vejo que há uma certa confusão entre nós….. Eu não sei se me farei ser entendida porque, na falta de alguém ou de publicações que embasassem ou respondessem meus questionamentos, eu acabei criando minha linha de pensamento e estabelecendo uns “achismos” que sanassem algumas dúvidas relacionadas ao assunto. Mas existem muitas certezas pra mim e a primeira delas é O MERCADO NÃO É BOM. NINGUÉM INVENTA UM CREME NOVO PENSANDO APENAS NA SUA FELICIDADE. O QUE MOVE O CONSUMO É O DINHEIRO – Isso quer dizer que coisas novas são incluídas no mercado por um único motivo: GANHAR MAIS DINHEIRO.

Eu quero dar um exemplo pra vocês sobre o que eu penso sobre isso: Eu sou uma mulher de 1982. Durante anos a fio, pouquíssimas opções de produtos de cabelo nos eram oferecidos. As embalagens eram terríveis, os cheiros insuportáveis e a maioria, inclusive não nos ajudava a valorizar a nossa beleza natural…. Não éramos em poucas mulheres negras no país, na verdade, nunca fomos. Agora você me pergunta: Mas o que mudou Priscila, que fez com que o mercado reagisse de forma impressionante à “nova realidade” das mulheres negras crespas e cacheadas?

SIMPLES: Nós paramos de comprar e saímos distribuído de forma gratuita pelas redes sociais, saídas caseira e inacreditavelmente baratas para cuidarmos dos nossos fios da forma que de fato queríamos. RESULTADO: Viram nossos vídeos do Youtube e caíram em sí que, existia uma imensidão de pretas sedentas por produtos que as atendessem e que tivessem a combinação perfeita de consumo: APRESENTAÇÃO + QUALIDADE + PREÇO…. E Boooommmmmmm! Bingo!

Claro que depois disso vieram todas as discussões de empoderamento e de representatividade. Vejam, apesar de terem linha próprias, as grandes empresas de cosméticos só passaram a incluir mulheres negras em suas campanhas publicitárias de uns doisanos pra cá. Mas porquê já que essas linhas especiais para crespas e cacheadas já existiam? PORQUE A INCLUSÃO DA MULHER NEGRA FOI FORÇADA PELO CONSUMO SEGUINDO A LINHA DE “NÃO ME VEJO, NÃO COMPRO”, mais uma coisa que o mercado dos produtos de cabelo compreendeu perfeitamente, muito embora as Crespas do tipo 4 e as de peles mais escuras continuem sendo preteridas pela publicidade.

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DESCOBRIR-SE NEGRO?

Entre as várias perguntas que eu respondo em minha caminhada, sempre tem uma que bomba, QUANDO VOCÊ SE DESCOBRIU NEGRA?… E eu sempre fico meio que no silêncio nos primeiros segundos pensando por onde começar a responder essa pergunta que tem uma resposta tão extensa, e que as vezes não é nada simpática (dependendo do tom da pergunta, né!? Porque, Deus do céu eu sempre soube que era preta!), por isso resolvi dividir meus pensamentos aqui com vocês sobre esse PROCESSO DE AUTOIDENTIFICAÇÃO COMO INDIVÍDUO NEGRO que pode ser tão diferente entre nós.

Tem gente que nasce sabendo que é negro e cresce sendo empoderado. Tem gente que nasce sabendo e cresce lutando para não ser. Tem gente que acha que é pardo. Tem mãe que se orgulha em ensinar que seu filho é moreno…. Enfim, pra cada preto no mundo, há uma história única no quesito autoidentificação. Mas a verdade é que, independente do seu “quando”, a parte mais importância da sua história, sem dúvida, foi ou vai ser o dia que você tomou consciência absoluta da sua negritude e se apropriou de tudo que vem com ela.

Seja a bagagem boa ou a bagagem ruim que a sociedade insiste em nos jogar, a somatória dos dados é que proporciona a fortaleza de ser quem é, sem medo… e isso é sem dúvida, uma das coisas mais libertadoras na vida de um ser humano. A liberdade de desamarrar-se, de quebrar os grilhões mais pessoais.

Além da liberdade, a auto-identificação e essa conexão com a ancestralidade são grandes veículos de fortalecimento individual e coletivo. E se ela for estabelecida de forma positiva, é fundamento norteador, por exemplo, de uma segurança e idependência estética que é sim, uma forma de militância, de manifesto político… Imaginem a grandiosidade que é, portanto, estabelecer um contato positivo de autoidentificação quando crianças! Imagina a quantidade de problemas que serão evitados, que serão superados sem as grandes crises e reencontros que eu, por exemplo, tive -ou por falta de representatividade ou pela pressão embrenquecedora do meio.

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Vocês tem visto (ou não visto, rs!) que eu não tenho conseguido atualizar como de costume esse Blog! Isso porque a minha militância extrapolou os muros da internet e eu tenho tido muito pouco tempo, infelizmente, pra escrever como gostaria. Mas, nas últimas semanas eu venho reunindo uma série de dados e matérias para dividir aqui com vocês no mês de Novembro, o mês do dia da Consciência Negra (20 de Novembro) em que nós negros, celebramos a nossa força e o nosso orgulho.
EU nunca vi muito sentido em só falarmos com atenção no mês de novembro e é por isso que eu resolvi fazer uma série de publicações pra você manter-se ENEGRECENDO ALÉM DO SEU NOVEMBRO.
Fica ligado que esse mês tem tudo que a gente gosta. Tem informação, babado, confusão and gritaria!

TOCA NO MEU RADIN – DON L

Eu me apaixonei em 2015, mas definitivamente, no ano de 2016, ninguém reinou na minah setlist mais que Don L…. Manooooooooooooo, eu não consigo parar.

Cearense, Don L mora em São Paulo. Seu sotaque sobre as batidas, A QUALIDADE DA RIMA e a influência do jazz, acaba com meu core que tá always carente (sou pisciana, isso não tem fim). O primeiro som dele que escutei foi, Slow Jam, logo seguida por Plástico, Depois das 3, Beira de Piscina…. Xeque Mate, tava absolutamente conquistada pelo som. Depois disso baixei tudo o que eu achei do Don L…. meu Spotfy, inclusive, tem verdadeira adoração por ele.

Eu só tenho um problema com Don L: nunca consegui ir à um show e, sério, eu queria muito ir.

Apenas Escute e me dê razão.

VOCÊ PRECISA SABER QUE NÃO É PARDO

Essa é uma carta aos meus. Àqueles que ainda não receberam a mensagem, segue aí a minha humilde instrução… Queria te falar isso olhando em seus olhos, com a mão na sua, sabe! Sei que esse é um momento forte e eu sei que vai mudar a sua vida, mas não tem jeito, vai por aqui mesmo: VOCÊ P.R.E.C.I.S.A SABER QUE NÃO É PARDO.

Ah, caro amigo. Você é preto. Eu sou, nós somos. E você precisa saber da maravilhosidade libertadora de saber que é assim, de se assumir assim, de se orgulhar dessa sua pretitude… Eu preciso te contar que esses anos todos te chamaram de pardo pra te fazer acreditar que era mais “aceitável” pela sociedade do que os outros, que sofria menos dos males do racismo e que a violência não chegaria à você… O IBGE passou na sua casa pra “pardificar” a sua vida incluindo-o na bolha da cegueira, porque quem gosta de gente que vê e enxerga, não é mesmo!?

Mas eu não gosto do IBGE! Não gosto do IBGE, não gosto, não gosto! Não gosto de julgadores, de opressores e muito menos de clareadores. Empreteça-se amigo! Aproprie-se disso o quanto antes. Enquanto é tempo…. Você precisa entender que não é pardo.

Você precisa entender a política de embranquecimento e que esses anos todos te enganaram, você não é aceito. Mesmo jogador de futebol, artista de tv, músico bombadão… mesmo assim você não é aceito. Você é pardo pra ser incluído num círculo raso de abuso…. vão tirar tudo de você e quando você não tiver mais nada pra dar, será chamado de neguim… Então, você precisa entender que é um negrão e, como tal, não se permitirá ser domado, sugado, abusado…. escravizado. Você precisa saber que não é pardo.

Você precisa entender que mesmo que você não queira ser preto, já é e o sitema sabe disso. Precisa saber que quando você não passou naquela vaga de emprego mesmo sendo o mais qualificado, era porque ser pardo é ser porra nenhuma. Precisa entender que quando você foi tratado diferente mesmo tendo dinheiro pra pagar, é justamente porque eles já sabem que você não é pardo. Na verdade, eles sempre souberam.

Você precisa entender que você não é pardo e que todos os “mal estares” indiretos pelo quais você passou, são tipificados pela lei e que são chamados pelo mundo todo de r.a.c.i.s.m.o…. Você precisa saber, meu amigo, porque enquanto não souber, será alguém sem cor. E você conhece alguma coisa sem cor que seja alguma coisa massa, alguma coisa visível, alguma coisa notável? Conhece? E é exatamente isso que querem que você seja: mais um pardo perdido e invisível…. mais um usável, um fraco, manipulável.

Você precisa saber que não é pardo e, melhor, precisa saber que tem um time forte pra te dar uma força aí. Tem uma galera boa aí de “não-pardos” que segura a peteca bonita e quem tem feito verdadeiras revoluções em suas próprias vidas, as mesmas que podem dar certo aí na sua.

Por fim, você precisa saber que não é pardo antes que seu filho nasça e esfregue a primeira violência por conta da etinia de seus pais, suas mães…. Precisa saber antes que ele sofra os reflexos de você ir na primeira reunião escolar, de conhecer os pais do primeiro amor, de ir assinar os papeis da Faculdade. Você precisa saber que não é pardo pra ele poder entender desde cedo que aquele baculejo sem motivo vai acontecer e que isso não significa que ele é um suspeito padrão de verdade. Você precisa saber que não é pardo. Você precisa saber que não é pardo e entender que é preto, sentar aqui do meu lado, ouvir TuPac e planejar colocar o nome da sua filha de Dandara. Entender que as barreiras que colocaram pra você são todas virtuais e que podem ser reconfiguradas, sampleadas, baixadas, subidas, e quem sabe curtidas, cutucadas e compartilhadas…. Você precisa saber que pode ser o que você quiser, mas que pardo, meu amigo, você nunca foi.

Você precisa entender que não é pardo. E assim que souber que é preto, ir de preto comprar um pão. Tô te esperando com o café pronto. They.

ADINKRAS

Há alguns anos imersa em estudos afrocentrados, eu me deparei com as tecnicas africanas antiquérrimas de estamparia. Foi exatamente assim que eu cheguei aos Adinkras… e me apaixonei tanto que acabei tatuando um em mim, o Sankofa. E foi pela curiosidade de muita gente à uma de minhas várias tatuagens que eu resolvi fazer o post de hoje…. Vim falar um pouco mais sobre os símbolos e principalmente sobre a cultura ancestral que desde sempre, é moderna.

Os Adinkras são um dos muitos saberes desenvolvidos pelos AKAN (grupo cultural presente no Gana, Costa do Marfim e Togo). Na verdade eles formam um sistema de transmissão de idéias, quando cada símbolo associa-se à um provébio (um ditado) enraizando a experiência akan e garantindo que esses fundamentos pudesse, inclusive, ser repassados aos seus ao longo dos anos.

Um verdadeiro dicionário de valores que vem encantando muitas pessoas, como eu e, inspirando vários na produção de produtos e na reformulação de serviços e idéias. Eu mesma, confesso, fiquei muito reflexiva em relação à minha vida ao estudar os Adinkras e absorvi muita coisa desses valores nos meus passos e acreditem, mudei.

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