UMA BLOGUEIRA NEGRA FORA DO EIXO RIO-SP

Tem um tempo que eu me coloco a refletir sobre os motivos que me levaram à Blogagem. Penso no que levou outras blogueiras que eu conheço e admiro à tentar a vida nessa atmosfera maluca, fugaz, as vezes rasa e desprestigiada… e penso nisso sempre em relação às blogueiras negras porque, obviamente eu não sigo quem não me representa e, portanto, sigo pouquíssimas blogueiras brancas. E é justamente nesse ponto que eu comecei a me por na posição analítica dessa network invisível que nós blogueiras negras somos obrigadas a estar para sobrevivermos em ambiente hostil – porque acreditem, ser blogueira preta é difícil pra caramba.

Analisando as postagens, as vidas e principalmente as expectativas de muitas dessas blogueiras negras, algumas com as quais eu passei a estabelecer relações de amizade e admiração profunda, eu cheguei a conclusão de que, ao contrário do que se pensa, não começamos a escrever, gravar vídeos ou qualquer outra ação blogosférica para “socialitizar”. A maioria de nós é periférica, batalhadora, trabalha em horário comercial, mas por algum motivo foi chamada a se posicionar de maneira representativa (ou porque as amigas gostavam do estilo, ou porque gostavam das roupas, o porque gostavam do que ela pensava). E normalmente é assim que a aventura começa.

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SOBRE A IMPORTÂNCIA DE ESTARMOS JUNTAS E UNIDAS

Todas as vezes que alguém me questiona sobre a importância e eficácia dos tradicionais encontrinhos de crespas e cacheadas eu sempre me disponho a dar milhões de argumentos porque acho, sobretudo, que o empoderamento estético é importantíssimo para nós mulheres negras, principalmente quando ele é a porta de entrada que nos conecta à ancestralidade e a autoidentificação enquanto indivíduo negros que somos. Mas ainda tem muita gente que, por vários motivos, tenta diminuir a importância desses contatos…. então eu resolvi aqui dizer os motivos pelos quais eu os acho super importantes.

Normalmente, a pressão da sociedade é de que embranqueçamos nosso fenótipos negróides e, sem dúvida, o cabelo é o principal sofrimento das mulheres negras de uma forma geral. Isso, somado à falta de representatividade na mídia de uma forma geral, fez com que durante muitos anos nós acreditássemos que “estávamos sozinhas nessa” e foi justamente em encontro como esse que a conexão começou e, consequentemente, essa revolução crespa aí que tem dado muito o que falar.

Eu não sou organizadora de nenhum desses encontrinhos, acho até que não levaria o menor jeito já que é necessário muito carinho e saberes relacionados ao fios e jeito para falar disso. Mas eu ADORO ir e compartilhar desses momentos especiais… Então, pra galerinha do contra, eu quero dizer: VÁ.

Vá e encoste nas irmãs, peça licença, porque ninguém deve sair por aí encostando uma no cabelo da outra sem autorização, né! … porque isso requer uma positiva ou uma intimidade ímpar. Mas, é importante que nós mesmas sintamos que esse “duro” não pertence aos nossos fios, e que eles são incrivelmente macios e saudáveis.

Eu sempre sou questionada sobre a real função desse ENCONTRINHOS e depois de muitas idas e risadas altas eu quero dizer que há muito mais mensagens do que se imagina.
A principal delas: LIBERDADE.

Ir à esses encontrinhos, além de todo aprendizado sobre cuidados, tipos e tudo mais sobre os cabelos, é sobretudo uma oportunidade de nos conectarmos como uma comunidade mesmo. Isso é importantíssimo. É reconhecer o outro como membro de um time. Isso tem um peso sensacional e é por isso que tem incomodado. Ainda mais quando falamos de beleza negra, né! Preto orgulhoso incomoda demais…. mas isso nós já sabemos e, com o tempo, aprendemos a incomodar mais! Rs.!

No entanto, eu quero observar aqui pra galera do cacho natural que, nada radical é bom. E falo isso porque o maravilhoso em reconectar-se e estabelecer uma boa relação com a sua estima é justamente você poder ser e escolher o que quiser. Então, o lance não é hierarquizar a estética e sim fortalecê-la em todas as suas formas, porque ninguém aqui tá precisando de regime ditatorial, mesmo que a ditadura seja a do cacho natural perfeito. Vamos evoluir.

MEU ESTADO NO MAPA DA VIOLÊNCIA

A primeira vez que eu ouvi os dados do Mapa da Violência eu não absorvi muito bem. O choque foi tão grande que eu fiquei por muito refletindo sobre o que poderia fazer e como, mas antes de começar a falar do que exatamente já tô falando, eu vou mostrar o objeto da nossa discussão aqui.

Segundo os dados, o meu estado, o lindo Espírito Santo, é o TOP do ranking que contabiliza a incidência de mortes de mulheres negras no país. E considerando a extensão territorial e a população dos demais estados do Brasil, eu só consigo ficar desesperada em concluir o grau de racismo e sexismo do meu lugar. D.e.s.e.s.p.e.r.a.d.o.r. E o hilário nisso tudo é que a capital do Estado, Vitória,  foi classificada em 2015, pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das cidades do litoral brasileiro onde as pessoas têm a maior expectativa de vida – resumindo, esta a longevidade definitivamente não é pra todos, já que a cidade é a capital com maiores taxas de homicídio calculados a cada 100.0000 mulheres.

A gente que mora por aqui, consegue apalpar a pressão dessa sociedade que vê as mulheres, de uma forma geral, como objeto de apropriação e indivíduo submisso de servidão. Agora, pensa se isso tudo for somado ao fato de você ser uma mulher negra? Tá puxado, tá não?

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RESENHA – BOTICA CACHOS.BIOEXTRATUS

Hoje eu vim falar da minha experiência usando a Linha BOTICA CACHOS da Bioxtratus. A linha já foi lançada há um tempinho e eu estava namorando a linha esse tempinho também, mas por conta das tranças e da quantidade de produtos que eu tinha pra testar, eu demorei um pouquinho… e vocês sabem que essa blogueira só fala bem do que usa e realmente gosta, então… é isso! Bora resenhar, né!

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O COLORISMO E A MESTIÇAGEM

Eu há tempos ensaio escrever aqui  sobre o Colorismo. E apesar de já falar bastante sobre o assunto nas minhas falas por aí, eu precisava mesmo preparar meu espirito para registrar tudo o que eu acho sobre o assunto em forma de post… e pra começar eu queria falar que eu ainda tenho mais dúvidas sobre o Colorismo do que certezas e talvez por isso, achei importante dividir isso aqui. Quem sabe vocês não me ajudam?

Tenho certeza que esse é o primeiro de muitos posts sobre o colorismo por aqui… e é mesmo só um começo, ok! Um desabafo de iniciação.

Bom, eu não consigo falar de Colorismo sem tocar na Mestiçagem, até porque sem o fator miscigenação não estaríamos falando de colorismo com tanto afinco né!? O problema é que as pessoas se esquecem que a miscigenação do povo brasileiro (principalmente a parte afro-brasileira) foi iniciado através da violência – seja pelo estrupo cometido contra as negras escravizadas, seja pela política de embranquecimento que fomentou a vinda de brancos europeus para o Brasil) – e acabam romantizando a mestiçagem como um processo natural entre povos que convivem e se respeitam. Parem! Por favor! Nos misturamos e não teve romance nenhum nessa história,  e não há muito o que fazer sobre isso a não ser refletirmos sobre os efeitos e pensarmos em discussões que sejam positivadas na ressignificação das nossas identidades ligadas à nossa ancestralidade, seus fenótipos e o reflexo deles em uma sociedade eurocentrada e racista.

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PLOPPING – O MELHOR AMIGO DOS FIOS NO FRIO

Semana passada o meu secador queimou e eu me vi diante de um dilema: como secar meus cachos mais rápido e evitar que eu fique ainda mais gripada que estava? Porque não dava mais pra ficar sem lavar o cabelo, já tinha aguentado tempo demais…. foi aí que eu me lembrei de uma técnica que eu costumava usar muito e que eu já tinha falado aqui, O PLOPPING.

O PLOPPING nada mais é do que uma técnica de modelar os fios com a toalha que ajuda bastante na secagem dos fios. Então, pra quem tá sem difusor como eu, ou pra quem gosta de evitar os danos que o ar quente causa aos fios, a técnica é uma sensacional…. parece complicado, mas não é não tá gente!!! Mas, a minha dica é… use uma toalha que não seja nem tão felpuda e nem muito fina, ok – pra você conseguir trabalhar sem muito esforço e complicação.

Vou ressaltar aqui, que eu fiz muito uso dessa técnica na época da minha transição pra modelar os fios, em! E realmente funciona…

1. Com os cabelos molhados, vire a cabeça para baixo, de forma a encaixar os cachos na toalha/camisa;
 
2. Enrole as laterais, como se embrulhasse uma bala de chocolate;
 
3. Uma vez que tenha definidas as duas pontas da toalha/camisa…
 
4. Enrole-as para a nuca, como se fizesse um turbante, podendo usar um elástico para prender a última ponta.
 
 

No outro post eu coloquei uma imagem em inglês (que era exatamente a imagem que eu tinha nos meus arquivos pra me ajudar a fazer), mas quase um ano depois, já consegui encontrar a mesma imagem traduzida para o português dando pinta na Internet… então, se você ainda sentir dúvida…. garra no Google.